Uma fita VHS esquecida numa locadora de interior. Uma geração inteira que perdeu algo entre 1985 e 1995. Um punhado de histórias que a cidade inteira sussurrava e ninguém tinha coragem de gravar. Muito mistério envolve o livro VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue.
É exatamente isso que o escritor Cesar Bravo desenterrou em 2019 com VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue, obra que Fundou de vez o universo de Três Rios, a cidade fictícia que se tornaria a marca do autor, e que hoje em dia gerou DVD, Amplificador, 1618 e o romance definitivo Três Rios (2024).
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VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue
Dizem que segredos não sobrevivem por muito tempo em cidades pequenas. Mas, em Três Rios, eles estão por toda parte há tempo demais.
Se você chegou aqui de paraquedas e ainda não leu meu review do livro de terror Três Rios, aqui vai um resumo rápido de quem importa:
Cesar Bravo (Monte Alto, 1977) é farmacêutico de formação que se converteu em um dos mais importantes autores brasileiros de horror contemporâneo. É também editor da DarkSide Books, a editora que publica seus próprios livros.
Ultra Carnem (2016), sua obra-prima solo de horror visceral, pela DarkSide;
Mas foi com VHS, em 2019, que ele deu o salto definitivo: criou uma cidade literária, Três Rios, onde passou a contar histórias sombrias sobre o interior paulista profundo. E foi tão longe que o livro ganhou continuação oficial (o livro de terror DVD, em 2020) e gerou uma cosmologia literária inteira que se expandiu até culminar em Três Rios (2024).
Do que se trata o livro VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue?
“Dizem que segredos não sobrevivem por muito tempo em cidades pequenas. Mas, em Três Rios, eles estão por toda parte há tempo demais. Sombrios, aterrorizantes e indecifráveis, um espelho da cidadezinha onde tudo aquilo que é estranho e profano sempre encontra um jeito de se manifestar na superfície.”
— sinopse oficial.
O livro se passa entre 1985 e 1995, uma década peculiar do Brasil, entre redemocratização, planos econômicos fracassados, ascensão do VHS e do videoclube como espaço social, e o fim de uma ilusão de progresso.
Tudo começa em uma videolocadora peculiar: ponto de encontro de adolescentes, desempregados, fugitivos e párias locais. A estrutura lembra uma fita de vídeo encontrada: recortes de jornal, depoimentos orais, mapas, fotografías, anúncios antigos, propagandas de videolocadora, e, claro, uma série de 18 histórias que coexistem dentro do mesmo cenário.
O estilo lembra muito:
Stephen King em Desesperoou A Coisa capítulos entrecruzando personagens;
Clive Barker em Livros de Sangue, fragmentação narrativa e horror visceral;
Você já leu Stephen King, Clive Barker, Joe Hill, Mariana Enriquez, Paul Tremblay;
Tem interesse por horror regional, weird fiction, horror cósmico, soft horror cotidiano;
Curtia programas de TV brasileiros como Caso Especial, Você Decide, Linha Direta, Histórias Extraordinárias;
Em qual ordem ler as obras de Cesar Bravo?
Muitos leitores me perguntam por onde começar. Eis a ordem cronológica de publicação e a ordem ideal de leitura para aproveitar o universo:
#
Livro
Ano
Função no ciclo
Quando ler
1
Ultra Carnem
2016
Obra-prima solo de horror visceral
Antes ou paralelamente
2
VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue
2019
Fundação do universo Três Rios
COMEÇA AQUI
3
DVD: Devoção Verdadeira a D.
2020
Expansão direta do universo
Depois do VHS
4
1618
2022
Experimento paralelo
Em paralelo
5
Amplificador
2023
Mais um experimento
Em paralelo
6
Três Rios
2024
Culminância do ciclo
Por último
A ordem VHS → DVD → Três Rios é a sequência principal. Amplificador e 1618 são experimentos paralelos que você pode ler em qualquer momento, funcionam como interlúdios.
Ultra Carnem é uma exceção: é livro à parte, não faz parte do universo Três Rios de forma canônica, mas é possivelmente o melhor livro solo do autor. Prazer garantido se você ler depois de entrar no clima.
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FAQ: Perguntas Frequentes sobre o livro ‘VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue’
Posso ler VHS sem ter lido outros livros do Cesar Bravo?
Sim, e é a leitura recomendada para começar. O livro é autônomo. Não exige leitura prévia, e dá ao leitor uma visão completa do universo de Três Rios antes de avançar para DVD e Três Rios.
Tem cenas muito explícitas de violência?
Sim, em alguns contos. Não é tão pesado quanto Ultra Carnem, mas tem cenas fortes. Leitor sensível vai precisar de filtro interno.
Vale como ponto de entrada para o horror brasileiro?
Sim, é a melhor porta de entrada. Custo acessível, narrativa envolvente, atmosfera única. É, disparadamente, o livro onde você mais rápido vai entender “do que se trata” o horror nacional sério.
Por que “VHS” como título?
É estética, atmosfera, e pista narrativa. O livro é estruturado como uma fita de vídeo esquecida, relatos, recortes, fragmentos. A escolha do título é parte do conceito. Você vai entender quando ler.
Esse é o melhor livro do Cesar Bravo?
Depende do gosto. Ultra Carnem é mais visceral e autoral. Três Rios é mais ambicioso e denso. VHS é o mais acessível e divertido de ler. Diferentes sabores, mesma qualidade.
Por Raquel Moritz – Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=77878400 ↩︎